Qualquer um pode aprender a programar

Qualquer um pode aprender programarAprender a programar hoje em dia está cada vez mais acessível. Basta um dispositivo e a vontade de aprender. Neste post vou comentar um pouco sobre algumas novas abordagens que fornecem recursos para quem deseja aprender a programar independente de tecnologia, condição, pré-requisito ou situação do aprendiz.

Há algum tempo atrás lancei meu curso sobre lógica de programação e desde então venho pensando e escrevendo sobre este assunto. Não só isso: também procuro ir além e estudar novas técnicas e maneiras de como ensinar melhor programação para pessoas que estão tendo o primeiro contato com desenvolvimento.

Um dos fatos que notei é a falta de diferenciação em relação ao tipo e perfil do aluno  em praticamente todos os materiais e recursos para o aprendizado de programação. Ou seja, os materiais não levam em consideração alguns fatores de quem está aprendendo com o objetivo facilitar o aprendizado. Pensando nisso fiz uma conexão e lembrei-me de um personagem do filme Ratatouille.

Figura2_PostgerRatatouille

Sem dar spoilers, neste filme há um personagem que repete várias vezes o bordão “Qualquer um pode aprender a cozinhar” ou em inglês Anyone can cook. Foi interessante notar que, no contexto do filme, tal frase age de forma motivadora para alguns e levanta séries preocupações em outros.

Em particular, eu acredito que assim como qualquer um pode aprender a cozinhar qualquer pessoa pode aprender a programar se houverem recursos adequados e dedicação suficiente. Se esta pessoa vai se tornar um programador ruim, mediano ou bom já é outra história, mas pelo menos os conceitos básicos, algumas noções importantes e programas simples para comandar as máquinas e fazê-las obedecerem a nossa vontade podem ser aprendidos por qualquer um.

Mas, como disse no começo do texto, os recursos e materiais especiais para diferentes grupos de pessoas não são muito comuns. Por isso resolvi discutir algumas referências e exemplos interessantes de recursos produzidos por quem realmente acredita que há espaço para que qualquer um possa aprender a programar.

Programação para mulheres

Figura3_GarotaProgramando

Recentemente algumas abordagens foram apesentadas para ensinar programação especialmente para as meninas e mulheres. O que é interessante de notar é como a forma de abordar este assunto muda quando há foco em um gênero específico, em particular o fato dos materiais terem mais cores, imagens e recursos visuais que vão além do texto. Algo semelhante acontece com o conteúdo para aprendizado de programação voltado para crianças e livros específicos para o gênero feminino.

Já escrevi há algum tempo atrás sobre algumas possibilidades de como será a programação no futuro, e pelo que tenho visto, cada vez mais elementos didáticos, independente do gênero vão sendo inseridos não só aos recursos para aprendizado, mas também às ferramentas, ambiente de desenvolvimento e tecnologias utilizadas para programar.

Codificação do jeito difícil

Figura5_HardWayMuita gente pensa que para aprender a programar devemos seguir o caminho mais fácil. Bem, certamente este pensamento é adequado para maioria das pessoas, mas não todas.

Considerando que nem todos preferem seguir o caminho fácil, algumas abordagens se concentram em mostrar o conteúdo da forma difícil ou mesmo complexa para um público que prefere o aprendizado desta maneira. A série de livros Hard Way  é um exemplo disso e não deixa de ser um caminho diferenciado para o grupo de pessoas que não procuram apenas do básico quando estão aprendendo.

Portadores de necessidades especiais

Figura6_EmpowerQuando alguém observa um portador de necessidades especiais usando um computador talvez a última coisa que venha à mente é que ele esteja programando. Do ponto de vista de materiais, anda estamos engatinhando em recursos específicos para quem possui alguma condição física ou psicológica diferente da maioria.

Existem várias vantagens para o aprendizado de programação para quem se enquadra neste perfil. Além de desenvolver habilidades cognitivas e se preparar para uma profissão, existe a fator empoderamento  (empowerment). Este é um conceito complexo, mas vou simplificar dizendo que, no contexto de portadores de necessidades especiais, aprender a programar traz diversos benefícios psicológicos que podem fazer a diferença do ponto de vista social.

Existem bons exemplo de conteúdo específico para o aprendizado de programação voltado para quem possui necessidades especiais. Pesquisando um pouco descobri iniciativas interessantes como projetos para cegos aprenderem a programar assim como recursos para deficientes auditivos (aqui, aqui e aqui)

Outra ideia no mínimo diferente é a programação feita com os pés, algo que até certo ponto pode ser complementado e adaptado para auxiliar as pessoas que programam normalmente com as mãos.

Destaco também estas duas listas (aqui e aqui) de bons recursos e ferramentas com diversas tecnologias de acessibilidade úteis para o uso de computadores que podem auxiliam que está programando neste contexto.

Terceira idade

Figura7_TerceiraIdadeConforme vamos envelhecendo novas atividades vão sendo adaptadas para esta etapa da vida. Apesar de algumas barreiras existentes para a utilização de dispositivos e interfaces atuais, atualmente temos muitos recursos de acessibilidade voltados para a terceira idade. Também existem vários programas de treinamento e terapia ocupacional que incluem o uso de computadores.

Além disso, incluir a perspectiva de pessoas com idade avançada em aplicativos e sistemas pode trazer benefícios que possivelmente não seriam obtidos quando se tem uma equipe de desenvolvimento com idade média muito diferente dos seus usuários.

Entretanto, o uso de programação na terceira idade ainda engatinha (eu sei, piada ruim…). Procurando por referências encontrei alguns vídeos motivadores de projetos que se concentram mais no uso de aplicativos gerais do que na programação em si. Este é um primeiro passo significativo, mas gostaria de ver outras iniciativas voltadas para o aprendizado de programação para pessoas da terceira idade.

https://www.youtube.com/watch?v=bA_w9Zb3ZI8

https://www.youtube.com/watch?v=KE5yduWfPUM



Gatos, cachorros e afins

Figura8_GatProgrmador

Para finalizar destaco alguns contextos um tanto quando estranhos quando falamos sobre programação. Que tal a história do mendigo que não tinha onde morar e aprendeu a programar? Exemplos como esse mostram que a vontade de aprender supera muitas dificuldades.

Também há espaço para abordagens bem humoradas quando se fala em programação como o tutorial que ensina a programar em Javascript para gatos. Parece que ainda não criaram algo semelhante para cachorros, mas pelos menos eles podem ser divertir assistindo TV.




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